SP - COLETIVA / MARINA SILVA / ELEIÇÕES 2014 - POLÍTICA - Candidata Marina Silva em coletiva de imprensa após ficar na terceira colacação no primeiro turno da eleição presidencial de 2014. 05/10/2014 - Foto: THIAGO BERNARDES/FRAME/FRAME/ESTADÃO CONTEÚDO

BRASÍLIA – A ex-ministra e porta-voz da Rede, Marina Silva, anunciou neste sábado, 2, que será pela terceira vez candidata à presidência da República. A declaração é feita em meio às movimentações de alguns deputados do partido para deixar a legenda, que pode acabar perdendo metade de sua atual bancada na Câmara, de quatro deputados.

Na reunião chamada Elo Nacional da Rede, em Brasília, representantes do partido nos Estados entregaram a Marina os resultados das conferências estaduais que aconteceram nos últimos dois fins de semana, que pediam que ela colocasse seu nome como pré-candidata da legenda. “Obviamente que não estaríamos aqui para dizer um não. O compromisso, o senso de responsabilidade, sem querer ser a dona da verdade, me convoca para este momento”, disse Marina.

Segundo ela, o país vive uma crise política, ética e uma crise econômica que só agora dá sinais de pequena recuperação. “Temos diminuição da inflação, mas se não tivermos processo duradouro não tem como se sustentar. O déficit publico só aumentou no governo do Temer.”

A ex-ministra disse que em 2014 boicotaram registro da Rede e ela teve que ir para uma candidatura de última hora. Lembrou uma conversa que teve com o ex-governador Eduardo Campos, que faleceu num acidente de avião durante a campanha e com isso ela se tornou candidata, sobre a presidente Dilma Rousseff, que acabou sendo reeleita. “Disse a ele que teria sido um grande presente para Dilma se a gente tivesse ganhado a eleição de 2014”, afirmou a pré-candidata, que durante o processo de impeachment foi criticada por sua postura dúbia e pouco assertiva.

Segundo ela, a crise política foi causada por PT, PSDB e PMDB e que agora o eleitor deveria puni-los nas urnas. “O melhor presente que a sociedade (deve dar) para os partidos que criaram essa crise é um sabático de 4 anos.”

A ex-senadora fez críticas também ao sistema político, disse que o partido terá apenas 0,05% do fundo eleitoral e pois esses partidos maiores “privatizaram” os meios políticos para se manterem no poder. “Teremos 12 segundos de televisão”, afirmou. Ela repetiu o discurso usado nas eleições anteriores de que essa fraqueza aparente, que também é atribuída a ela, na verdade é força. “Esse não é o momento para salvadores da pátria, a pátria é uma construção de todos nós”, destacou. “As coisas grandiosas não são feitos por um único partido, de uma pessoa”, afirmou, ressaltando que está vivendo a dor e a delicia “de ser quem somos”.